ZONA CONTAMINADA

Concebida ao longo dos anos 80, Zona Contaminada carrega em seu corpo as chagas do seu tempo: a inflação galopante, a epidemia da AIDS, a ameaça de destruição nuclear e o gosto amargo na boca daqueles que perceberam que o fim de um regime de exceção truculento não resolveria nada.

Quase três décadas depois, um grupo de jovens atores formados pela CAL (Casa de Artes Laranjeiras, no RJ) resolve vasculhar na obra de Caio Fernando Abreu questões vividas por outros tantos jovens e que, de uma maneira ou de outra, permanecem ainda no inconsciente coletivo.

Foi 1 ano de intensa pesquisa, onde descobriu-se que era possível os reconhecer na história daqueles personagens e que Caio Fernando Abreu fala com tanta sinceridade ao texto, que ele passa a ser para qualquer pessoa, de qualquer época.

Com 5 atores (Joana Rodrigues, Nina Reis, Paula Loffler, Leonardo Rossato e Marcelo Frankel) ansiosos em colocar sua arte nos palcos e sua visão de mundo no olhar dos personagens, só restava, então, convidar um diretor, o qual também estivesse interessado no Caio e no significado de sua obra. Por isso a escolha de Fred Tolipan: ator, diretor e professor do curso de Artes Cênicas da Univercidade, no Rio de Janeiro. Sempre esteve envolvido nessa missão de ensinar teatro e de pesquisar esse universo tão complexo e fascinante que é o do ator. Com concepção de cenário e ilustrações de Luis Fabio Kohler e colaboração de figurino de Ticiana Passos.

Estava, então, formada essa muralha de artistas que, acompanhados de um dos maiores escritores brasileiros, fariam a  diferença na cena contemporânea.

Zona Contaminada insere-se numa tradição: aqui não é a morte nem o juízo final que se avizinha, e sim a contaminação absoluta, o fim da integridade. A imagem de uma zona de pureza se fechando inexoravelmente é densa e estabelece um canal de contato com o espectador, que se reconhece na situação.

Nas personagens principais vemos refletidas duas condutas -modelo do cidadão contemporâneo – a de se voltar para dentro com resignação, e em oposição, a de se debater, questionar.

O clima que permeia Zona Contaminada futuca a ferida moderna do planeta em desencanto, da casa cujas paredes já exibem rachaduras e ameaçam desabar. O fogo nuclear, e toda a sua tecnologia e riqueza, ao invés de iluminar o caminho, cega a todos, que, atordoados, procuram uma clareira onde se possa respirar um pouco de ar puro e se fazer perguntas simples: como? Para onde? Por quê?

Zona Contaminada não oferece respostas, mas reitera, com um esgar, as perguntas que se impõem perto do fim.

Mas para que Zona Contaminada pudesse alcançar um número ainda maior de pessoas e sua história se perpetuasse, através da CAMPANHA TEATRO PARA TODOS, a peça disponibilizará nos postos de compra, durante toda a temporada 10 ingressos todos os dias a R$5,00.

SERVIÇO
ESPETÁCULO: ZONA CONTAMINADA
AUTOR: CAIO FERNANDO ABREU
DIRETOR: FRED TOLIPAN
ELENCO: Joana Rodrigues, Leonardo Rossato, Marcelo Frankel, Nina Reis, Paula Loffler
CENÁRIO E ILUSTRAÇÃO: Luis Fabio Kohler
COLABORAÇÃO FIGURINO: Ticiana Passos
LOCAL: Café do Teatro Gláucio Gil
GÊNERO: drama / adulto
DURAÇÃO: 80 min
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 18 anos
HORARIOS: Quartas e quintas às 19h
VALORES: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia) R$ 5,00 (CAMPANHA TEATRO PARA TODOS)
TEMPORADA:  01/12 a 16/12
LOTAÇÃO: 40 lugares
FUNCIONAMENTO BILHETERIA: de quarta à domingo das 16h às 21h.
TELEFONE DA BILHETERIA: 2332-7904.

SINOPSE COMPLETA

O lugar onde a catástrofe se compõe de objetos carregados de histórias colecionados por Carmen que dialoga com sua presentificada neurose Mr. Nostalgio. Ilusão – afirma ele – em seu discurso recitando Bandeira e cantando São João acende a fogueira do meu coração. Seu mundo é composto por objetos e lembranças que saudosamente lhe ocupam as mãos como máquina de escrever e um conjunto de peças para barbear. Um pequeno e refinado antiquário. Seu mundo.

Neste universo uma mulher e sua arma espantam os contaminados e alimentam sua frágil irmã Carmem. Vera aposta no amor e sede as promessas de um paraíso: Calmaritá e seu Homem. Um cristo que amou a carne e pagou por seu pecado: a culpa de não ter feito nada. Um canudo vazio é seu mapa e sua vida é dedicada a alcançar Calmaritá.

Esta é nossa Zona Contaminada: um ambiente profundamente claustrofóbico construído com restos, sobras de objetos históricos onde plateia e atores estão no mesmo risco. No mesmo palco. Lado a lado rompendo a quarta parede para produzir uma escrita cênica baseada na intensidade vivenciada pelas circunstâncias de uma população de contaminados.

E no fim só se procurava um último útero em perfeitas condições para evitar a completa extinção da humanidade.

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