ADULTÉRIO

Adultério: a linha tênue entre realidade e representação

Peça da Companhia Atores de Laura, inspirada no universo de Luigi Pirandello, convida espectador a refletir sobre a fronteira entre o real e a imaginação

“Adultério” é um espetáculo teatral desenvolvido numa criação coletiva da Companhia Atores de Laura, inspirada no universo do autor teatral Luigi Pirandello. A iniciativa da companhia de realizar a montagem surgiu durante exercícios feitos pelo grupo para treino e pesquisa, com propostas do diretor Daniel Herz. Entre estas propostas nasceu a ideia de trabalhar a questão Pirandelliana a respeito da identidade e sobre realidade e ficção, com o mote de uma realidade dentro da outra. O tema adultério foi sugerido pelo diretor no dia em que viu no jornal a manchete “Adultério não é crime, mas tem seu preço” e foi desenvolvido pela companhia por cerca de oito meses antes do início dos ensaios do espetáculo, que conta com o patrocínio da Eletrobras.

Mas em “Adultério”, este tema ancestral, presente nas relações amorosas, é apresentado como metáfora e pano de fundo de uma estrutura dramatúrgica, que é construída por histórias que originam novas tramas, num processo contínuo que se desenvolve ao longo de todo o espetáculo.

O adultério, portanto, além de tema das narrativas, é uma alusão à própria estrutura dramatúrgica, em que os atores continuamente desconstroem uma realidade cênica para construir outra. A cada momento, o pacto de ilusão que toda plateia estabelece com o artista e sua obra é quebrado. Assim, “Adultério”, mais do que levantar a questão da infidelidade conjugal — trazendo ao palco suas mais variadas nuances e consequências ―, convida à reflexão típica de Pirandello: o que, afinal, é a “realidade” e o que é a “representação”? Existe diferença entre uma e outra? Que fronteira há entre o real e o não real; entre vivência cotidiana e criação artística?

Em “Adultério”, o espectador é convidado a esta reflexão permanentemente e, eventualmente, é traído pela própria ideia que cria sobre as diferentes realidades que se apresentam umas dentro das outras, numa espécie de funil. Este fluxo de realidades, aliás, surge de maneira tão intensa que se sobrepõe ao tema adultério propriamente dito. Uma curiosidade interessante é que todos os personagens da peça têm nomes de personagens de Pirandello, numa alusão sutil ao autor.

Outro ponto interessante na montagem é o reencontro da Cia com o Teatro Gláucio Gil. Foi ali, em 1996, que os Atores de Laura estrearam o espetáculo “Decote”, também uma criação coletiva e também baseada num autor teatral, no caso Nelson Rodrigues. “Decote foi um sucesso marcante na carreira da companhia, ganhando vários prêmios na época e está em nosso repertório até hoje”, explica Daniel Herz, que está empolgado com a reforma do teatro e a programação mais voltada para uma linha contemporânea.

Companhia Atores de Laura: o artista é o foco

Com dezoito anos de estrada, grupo teatral consolida marca singular de seu modo de criação e de produção artística

Pensar e realizar o ator como força principal do jogo cênico. Esse é o princípio que rege a Companhia Atores de Laura, grupo de teatro que nasceu em 1992. Diretor da companhia desde a sua fundação, Daniel Herz resume o conceito: “No instrumento do ator — corpo, voz, emoção e energia ― há uma capacidade de se estimular e manipular qualquer coisa que se queira na platéia”. Ele explica que nas peças montadas pelos Atores de Laura é sempre em torno do ator que se constroem, paralelamente, elementos como cenografia, direção, iluminação e figurino. “Nos nossos espetáculos, buscamos a teatralidade na figura do ator”, resume.

Outra marca da companhia é a pluralidade dos textos montados pelo grupo. Os atores, que essencialmente trabalham com montagens contemporâneas e peças voltadas para o público adulto, fazem desenvolvem textos que vão dos clássicos, aos de autoria de artistas da própria companhia, passando pelos de criação coletiva.

Desde sua fundação, a Companhia Atores de Laura já passou por modificações. Dos vinte e três integrantes iniciais, permanecem apenas os atores Luiz André Alvim, Ana Paula Secco e Verônica Reis, além do diretor Daniel Herz. O grupo é muito unido e os integrantes atuais caminham juntos há tempos: o último ator a entrar já faz parte da companhia há dez anos. “Essa união tão antiga é uma singularidade porque raramente uma companhia se mantém assim”, orgulha-se Daniel Herz.

Sobre a Companhia:

  • A companhia tem 18 anos de existência e dois livros publicados.
  • É formada por Ana Paula Secco (atriz), Verônica Reis (atriz), Luiz André Alvim (ator), Daniel Herz (diretor), Anderson Mello (ator), Charles Fricks (ator), Paulo Hamilton (ator), Maíra Graber (atriz), Marcio Fonseca (ator) e Leandro Castilho (ator).
  • Tem em seu repertório 15 montagens teatrais, sendo duas infantis.
  • Seus artistas e espetáculos já ganharam 19 prêmios de teatro, incluindo dois prêmios Shell.
  • A companhia já se apresentou em diversas cidades brasileiras e no exterior (em festivais em Córdoba, na Argentina, e em Lyon, na França, onde os artistas prepararam uma apresentação surpresa, toda em francês).
  • O grupo tem o hábito de interagir com a plateia após o espetáculo, por meio de oficinas e debates.
  • Desde 2000 o grupo administra o Teatro Miguel Falabela.

ADULTÉRIO
Elenco: Ana Paula Secco, Anderson Mello, Leandro Castilho, Marcio Fonseca, Paulo Hamilton e Verônica Reis.
Texto: Cia Atores de Laura
Direção: Daniel Herz
Dramaturgia: Daniel Herz
Direção de produção: Paula Rollo
Iluminação: Aurélio de Simoni
Figurinos: Patricia Muniz
Cenário: Fernando Mello da Costa e Rostand de Albuquerque
Trilha sonora: Lucas Marcier
Programação visual: Mauricio Grecco
Direção de produção: Paula Rollo
Assistente de direção: Clarissa Kahane
Produção executiva: Ana Lelis e Juliana Moreira
Assessoria Jurídica: Ricardo Brajterman
Consultora de movimento: Marcia Rubin
Consultoria psicanalítica: Evelyn Dizitser
Consultoria de projeto: Zucca Produções

SERVIÇO
Adultério
Estreia: 15/01/2011
Teatro Glaucio Gill: Praça Cardeal Arcoverde s/nº, Copacabana. Tel.: 2332-7904.
Estação de metrô: Cardeal Arcoverde.
Horários: Sábados e domingos, às 21h. Segundas, às 20h
Ingresso: R$ 30
Meia entrada: estudantes, idosos e professores da rede municipal.
Capacidade: 104 lugares
Acesso para deficientes: Sim
Classificação etária: 16 anos
Venda de ingressos: bilheteria ou Ingresso.com (www.ingresso.com.br)
Bilheteria: de quarta a domingo e às segundas, das 16h às 21h.
Formas de pagamento na bilheteria: dinheiro.

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